
O verão europeu de 2025 está a ser um dos mais dramáticos da história recente. As imagens de florestas a arder e comunidades evacuadas deixaram de ser exceção e passaram a integrar uma nova rotina, marcada por fenómenos climáticos extremos. Em países como Portugal e França, os incêndios tornaram-se uma expressão visível da crise climática, uma realidade que já não pode ser ignorada
Crise climática à vista de todos
Ondas de calor cada vez mais intensas, secas prolongadas e alterações nos padrões de precipitação não são apenas estatísticas. São fatores que estão a agravar, de forma direta, a vulnerabilidade de regiões inteiras, especialmente aquelas com menor capacidade de resposta, como zonas do interior e comunidades envelhecidas.
Portugal: o exemplo de São Martinho de Anta
Em Sabrosa, no norte português, o fogo chegou a São Martinho de Anta, obrigando à evacuação preventiva de um lar de idosos. O episódio, registado em fotografias e testemunhos locais, simboliza o entrelaçamento entre fenómenos naturais extremos e riscos sociais cada vez mais evidentes.
França: o maior incêndio desde 1949
No sul da França, na região da Aude, um incêndio de grandes dimensões consumiu mais de 16.000 hectares — uma área maior do que a cidade de Paris. Com mortos, feridos e milhares de bombeiros mobilizados, o país enfrenta o seu maior fogo florestal em mais de sete décadas.
Não é coincidência. É consequência
Especialistas alertam: estes eventos não são isolados, são sintomas de um sistema climático em colapso. A vegetação mais seca, os ventos mais fortes e a elevação constante das temperaturas criam o cenário perfeito para incêndios fora de controlo.
Tempo de mudar e transformar
Já não é suficiente reagir. É preciso antecipar, adaptar e transformar. A justiça climática exige medidas integradas, que incluam a escuta dos territórios, o fortalecimento das infraestruturas locais e o compromisso internacional com a redução de emissões e proteção dos ecossistemas.


